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Situação do HEJ é debatida em audiência pública
A Câmara Municipal realizou no último dia 26 de junho uma audiência pública para discutir a situação administrativa, operacional e assistencial do Hospital Estadual de Jataí Dr. Serafim de Carvalho (HEJ). A reunião foi motivada pelo requerimento nº 271/2026, apresentado por todos os vereadores e aprovado em plenário após sucessivas reclamações da população sobre atendimento, substituição de equipes médicas, demora na realização de consultas, exames e cirurgias, dificuldades na regulação de pacientes e escassez de profissionais.
O evento ocorreu no plenário João Justino de Oliveira e foi conduzido pelo presidente da Câmara, Marcos Patrick. Também compuseram a mesa o vice-presidente Lazinho do Asfalto, o secretário da Mesa Diretora, Luciano Lima, os vereadores Abimael Silva, Carlone Assis, Carlinhos Canzi, Guilherme Alves e Kátia Carvalho, além de representantes da Secretaria de Estado da Saúde, da direção do hospital, da organização social Agir, do Ministério Público, de profissionais da saúde e da comunidade.
Na abertura dos trabalhos, Marcos Patrick afirmou que a audiência tinha como objetivo ouvir a população e reunir informações que subsidiem providências sobre a situação da unidade hospitalar. "Quem quiser fazer uso da palavra faça sua inscrição. Queremos ouvir relatos, acontecimentos e provas que possam contribuir para este debate", declarou.
A primeira manifestação foi da representante de um grupo de apoiadores da saúde pública, Sinara Alves. Ela afirmou que o movimento reúne mais de 400 integrantes e apresentou abaixo-assinados, vídeos e relatos de usuários do hospital. "Estamos aqui para lutar por uma saúde melhor. Queremos que o Hospital Estadual seja o melhor do Estado de Goiás. Estrutura nós temos; precisamos de profissionais capacitados para atender a população", disse.
O médico Francis Natal Gouveia, ex-coordenador da equipe de urgência e emergência do hospital, fez o pronunciamento mais longo da audiência. Segundo ele, sua manifestação pública teve como objetivo alertar para problemas decorrentes da substituição da equipe médica após processo licitatório conduzido pela organização social responsável pela administração da unidade.
"O meu compromisso é com os pacientes e com a população. Não tenho compromisso com Organização Social nenhuma", afirmou.
Durante sua exposição, Francis sustentou que a contratação de empresas para prestação dos serviços médicos resultou na substituição de profissionais experientes por médicos recém-formados, o que, segundo ele, comprometeu a qualidade da assistência.
"Não estamos contestando a licitação. Estamos contestando o serviço prestado. Na saúde não há tempo para esperar. Ou faz o correto ou paga para ver", declarou.
O médico também criticou o modelo de contratação utilizado para selecionar empresas prestadoras de serviços médicos. "Essas empresas exploram o trabalho do médico e acabam afastando profissionais qualificados. O objetivo delas é ganhar dinheiro, enquanto quem perde é a população", afirmou.
Apesar das críticas, Francis declarou que estaria disposto a voltar a atuar no hospital caso houvesse entendimento entre as partes. "Se entenderem que minha equipe deve voltar, estaremos prontos para trabalhar juntos e fortalecer o hospital. O objetivo sempre foi oferecer atendimento de qualidade à população", disse.
O técnico de enfermagem Paulo também utilizou a tribuna para relatar dificuldades enfrentadas pelos profissionais ao longo dos últimos anos. Segundo ele, problemas estruturais sempre existiram, mas o relacionamento entre as equipes se deteriorou.
"Precisamos de humildade. Não adianta tratar os profissionais com falta de respeito. A equipe só consegue prestar um bom atendimento quando trabalha unida", afirmou.
Entre os inscritos, a estudante da Universidade Federal de Jataí Sueide Ferreira Martins apresentou um caso clínico envolvendo uma paciente atendida no Hospital Estadual. Segundo ela, após sofrer um acidente, a mulher teria sido liberada e posteriormente procurado outro hospital, onde foram constatadas lesões mais graves.
"Se a família não tivesse buscado outro atendimento, será que ela estaria viva hoje? Nós estamos aqui representando pessoas que não conseguem vir denunciar essas situações", declarou.
A moradora Poliana chamou atenção para a dificuldade de acesso à neurologia e questionou a direção da unidade sobre a disponibilidade de especialistas para atender pacientes com epilepsia e outras doenças neurológicas.
"Gostaria de saber se o hospital está preparado para atender esses pacientes, porque essa é uma necessidade antiga da população de Jataí", afirmou.
Em resposta, o diretor técnico Pedro explicou que a neurologia integra as especialidades previstas para o Hospital Estadual, mas informou que o processo de contratação ainda estava em andamento.
"Existe um processo licitatório aberto para neurologia. Tivemos empresas que desistiram da contratação e o processo precisou ser reaberto. Seguimos os trâmites legais para concluir essa contratação", explicou.
Outra participante da audiência, Gislane Maia, afirmou ter conhecido o trabalho do médico Frances por meio de relatos de pacientes e defendeu mudanças na administração do hospital. "Nós estamos lutando pela população. Qualquer pessoa pode precisar do hospital durante a madrugada. Precisamos garantir atendimento de qualidade para todos", declarou.
Representando a Organização Social Agir, responsável pela gestão da unidade, o diretor-geral André Alves dos Santos afirmou que a instituição respeitou integralmente a legislação nos processos de contratação e negou qualquer direcionamento em relação às empresas participantes. "Seguimos rigorosamente os preceitos da administração pública e da legislação federal. Não temos compromisso com empresa nenhuma. Se a empresa contratada não prestar um atendimento adequado, ela será substituída", afirmou.
André também reconheceu que o hospital ainda enfrenta desafios, mas afirmou que houve avanços desde o início da atual gestão. "Estamos aqui para prestar contas à população. Sabemos dos problemas existentes e estamos trabalhando diariamente para melhorar o atendimento", disse.
Após a manifestação da direção da Agir, Francis voltou a rebater os argumentos apresentados, reiterando que sua crítica se concentrava na qualidade da assistência oferecida aos pacientes. "Não estamos discutindo a legalidade da licitação. Estamos discutindo um serviço que, na nossa avaliação, piorou. A população precisa de atendimento seguro e profissionais capacitados", afirmou.
André Santos afirmou que a audiência pública representava uma oportunidade para prestar esclarecimentos à população e reiterou que a gestão reconhece a existência de desafios, mas sustenta que houve avanços desde que a AGIR assumiu a administração do hospital. "Nosso compromisso é prestar contas à população. Sabemos dos desafios que enfrentamos diariamente pela complexidade do Hospital Estadual de Jataí, mas avançamos muito de setembro para cá. A unidade ainda não está perfeita, porque a palavra perfeição é muito complexa quando se fala em saúde, mas é importante parabenizar todos os colaboradores que estão diariamente atendendo a população", declarou.
O diretor solicitou que todos os casos relatados durante a audiência fossem encaminhados formalmente à administração da unidade para apuração. "Estamos abertos para escutá-los e resolver os problemas que ainda estiverem na unidade. Esse é o nosso compromisso", afirmou.
Ao responder às críticas relacionadas à substituição da empresa responsável pelos serviços médicos, Santos disse que a contratação ocorreu por meio de processo licitatório conduzido dentro das normas legais. "Não tenho nada contra o senhor", afirmou, dirigindo-se ao médico Francis. "Todo o processo de licitação foi feito de forma transparente, com respaldo legal, seguindo os preceitos da administração pública. Não fizemos nada de irregular."
Segundo ele, o procedimento observou as regras previstas na legislação federal e teve como princípio não apenas o menor preço, mas também a chamada vantajosidade para a administração pública. "Existe um processo de licitação que, infelizmente, um ganha e outros perdem. A administração pública trabalha com qualidade, preço e satisfação do interesse coletivo. Se existe algum problema na legislação, que ela seja discutida por esta Casa, mas nós seguimos rigorosamente o que determina a lei."
André Santos acrescentou que a Agir não possui compromisso com nenhuma empresa específica. "Se a empresa atual não der certo, nós vamos trocar a empresa. Não temos compromisso com empresa nenhuma. Já solicitamos inclusive a substituição de profissionais quando identificamos necessidade. Se o atendimento não tiver qualidade, nós vamos intervir."
Em seguida, o médico Francis afirmou que sua crítica não se dirigia ao processo licitatório, mas ao serviço prestado pela empresa vencedora. "Não estamos contestando a licitação. Estamos contestando o serviço prestado, que está péssimo. O processo pode ser legal, mas, do meu ponto de vista, é imoral quando entrega um serviço dessa qualidade."
Segundo ele, a principal preocupação diz respeito à experiência dos profissionais escalados para atuar no pronto-socorro. "Você acha que médico recém-formado dá conta de urgência e emergência? Não dá. Quantos profissionais realmente capacitados vieram? O que estamos contestando é a qualidade do atendimento. Em saúde não existe tempo para esperar."
Francis relatou supostas falhas na composição das equipes médicas e afirmou que a empresa estaria enfrentando dificuldades para preencher as escalas de plantão. "Eles continuam contratando médicos por WhatsApp. Chamam quem aparecer. O médico precisa estar regularizado na empresa. Sempre fui cobrado por isso quando administrava o serviço e quero entender por que agora isso estaria sendo tratado de forma diferente."
O médico também afirmou que profissionais sem experiência estariam assumindo responsabilidades incompatíveis com sua formação. "Tem dia que há quase 30 pacientes para serem reavaliados. É preciso discutir caso por caso. A empresa não trouxe diarista experiente, não trouxe responsável técnico presente diariamente. A médica que está fazendo visitas precisa ligar para outro médico para perguntar o que fazer. Isso demonstra que falta suporte."
Segundo Francis, o problema não seria pessoal. "Se o problema sou eu, eu saio. Não tenho dificuldade nenhuma com isso. O que quero entender é por que a situação chegou a esse ponto. Quem tinha que resolver isso era a gestão, não o governador."
Ele afirmou ainda que diversos problemas teriam sido identificados logo nos primeiros dias da nova empresa. "No primeiro dia de trabalho uma médica chorou dentro do consultório de desespero. Outro profissional passou mais de 12 horas seguidas trabalhando. Alguma coisa está errada."
Na avaliação do médico, os critérios técnicos deveriam ser mais rigorosos durante a contratação das empresas. "Se uma empresa apresenta 14 médicos e 12 deles são recém-formados, isso já começa errado. Todos nós tivemos dificuldades no início da carreira, mas sempre tivemos profissionais experientes para orientar."
Francis voltou a afirmar que não questionava a legalidade do certame. "Licitação é uma coisa. Fazer vista grossa é outra. O serviço precisa melhorar. Não pode piorar."
O coordenador técnico do hospital, Dr. Pedro, respondeu às observações lembrando que também acompanhou o início da carreira do médico Francis. "Nós trabalhamos juntos há dez anos. Quando você chegou a Jataí também era um médico recém-formado. Você teve dificuldades como todo médico tem e sempre buscou ajuda quando precisava."
Segundo Pedro, o hospital dispõe atualmente de suporte técnico permanente. "Hoje existe um responsável técnico qualificado, médico intensivista e cirurgião geral. Temos também o Dr. Guilherme coordenando o pronto-socorro todos os dias, além de um corpo de pareceristas disponível para apoiar qualquer conduta clínica."
Ele acrescentou que os contratos atuais passaram a exigir certificações que anteriormente não eram obrigatórias. "Hoje é obrigatória certificação mínima dos médicos. Isso não significa que não precisemos continuar melhorando, mas houve avanço em relação às exigências técnicas."
Pedro afirmou ainda que as reclamações envolvendo profissionais da empresa contratada foram apuradas. "Nós não fomos omissos. Identificamos os problemas, ouvimos as reclamações e promovemos substituições. Falta de educação com pacientes ou servidores é inaceitável, mas só é possível tomar providências quando os fatos chegam ao nosso conhecimento."
Mesmo reconhecendo o trabalho desenvolvido pelo coordenador técnico, Francis reiterou que os problemas persistem. "Tenho enorme respeito pelo Dr. Pedro. Aprendi muito com ele ao longo desses anos. Mas, em pouco tempo, essa empresa gerou mais problemas do que vivemos em dez anos. É isso que não pode continuar acontecendo."
Na sequência da audiência, André Santos iniciou uma apresentação técnica sobre a gestão do Hospital Estadual de Jataí. Ele afirmou que todas as denúncias apresentadas durante a audiência seriam formalmente apuradas. "Tudo o que foi relatado deve ser encaminhado para que possamos fazer as devidas averiguações. Inclusive aquilo que o Dr. Francis mencionou sobre contratações. Se existem provas, elas precisam ser apresentadas para que possamos investigar."
O diretor apresentou dados sobre a estrutura da unidade, que conta com 128 leitos, pronto-socorro, centro cirúrgico, maternidade, UTI adulta, atendimento ambulatorial e especialidades como clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, neurologia, pediatria, ginecologia, obstetrícia, urologia e bucomaxilofacial.
Segundo Santos, desde que assumiu a administração do hospital, em setembro de 2025, a Agir promoveu dezenas de processos seletivos, contratou centenas de profissionais e manteve contratos considerados estratégicos para garantir a continuidade da assistência. "O objetivo foi assegurar que a população não tivesse interrupção dos serviços durante a transição da gestão", afirmou.
Na sequência, ele detalhou o processo de transição da administração do Hospital Estadual de Jataí e explicou que a AGIR assumiu contratos existentes por meio de sub-rogação para evitar descontinuidade da assistência. Segundo ele, 47 contratos da gestão anterior foram mantidos temporariamente, sendo 24 deles referentes à prestação de serviços médicos. "A sub-rogação teve o objetivo de preservar a continuidade da assistência até que fossem concluídos os processos licitatórios. Todos esses contratos tinham prazo máximo para permanecer nessa condição."
O diretor explicou que o regulamento de compras da Agir segue normas aprovadas pela Secretaria de Estado da Saúde e pela Controladoria-Geral do Estado de Goiás e afirmou que o processo licitatório oferece oportunidades para esclarecimentos, impugnações e recursos antes da definição do vencedor. "Todas as empresas participantes puderam solicitar esclarecimentos, impugnar o edital e apresentar recursos. Nenhum recurso foi apresentado após a divulgação do resultado."
André afirmou que os novos contratos foram estruturados com mecanismos de fiscalização inexistentes anteriormente. "Os contratos antigos não possuíam indicadores objetivos de desempenho. Nós qualificamos nossa relação com os prestadores de serviço. Agora existem metas, indicadores e acordos de nível de serviço que permitem monitorar a qualidade da assistência."
Ele explicou que esses indicadores estabelecem parâmetros para treinamentos, participação em reuniões de gestão, cumprimento de escalas, cobertura de plantões e observância das normas éticas. "Quando os indicadores não são cumpridos, há previsão de glosas e descontos financeiros. Hoje temos instrumentos objetivos para cobrar desempenho das empresas."
O diretor também informou que os contratos passaram a exigir requisitos técnicos para o responsável pela equipe médica. "O responsável técnico deve possuir registro de especialista, experiência comprovada e atender aos critérios definidos contratualmente. São exigências que qualificam a prestação do serviço."
Durante a apresentação, o presidente interrompeu a exposição para esclarecer um questionamento feito anteriormente pelo médico Francis sobre a presença permanente do responsável técnico na unidade. Dr. Pedro respondeu que a legislação não exige permanência integral do responsável técnico em todos os setores hospitalares. "As exigências variam conforme a regulamentação da Anvisa. No caso das unidades de terapia intensiva existe carga horária mínima prevista. Nas demais áreas não há obrigatoriedade de permanência contínua, embora permaneça a responsabilidade técnica sobre todos os atos praticados."
André Santos acrescentou que também passaram a ser exigidas certificações específicas dos médicos plantonistas. "Essas certificações internacionais representam qualificação adicional para atuação em urgência e emergência e hoje fazem parte das exigências contratuais."
O diretor explicou ainda que os contratos atuais estabelecem indicadores relacionados à participação em treinamentos, reuniões de gestão, integração das equipes médicas e adequação ao regimento interno da unidade. "Hoje conseguimos monitorar objetivamente o desempenho da empresa. Antes isso não existia."
Questionado novamente sobre a situação de uma médica mencionada durante a audiência, Santos afirmou que a profissional exercia suas atividades de forma regular. "Ela possuía autorização provisória concedida pelo Conselho Regional de Medicina para atuar em Goiás por até 90 dias. Portanto, não havia nenhuma ilegalidade em sua atuação."
Segundo ele, eventual atraso na inclusão do profissional no quadro societário da empresa interfere apenas na remuneração do plantão. "Se o médico ainda não estiver formalmente vinculado à empresa no momento da prestação de contas, o plantão pode não ser pago à empresa. Essa é uma questão administrativa e não impede o exercício profissional quando existe autorização do Conselho Regional de Medicina."
Prosseguindo com a apresentação, Santos apresentou dados sobre mudanças implementadas desde o início da gestão. Ele informou que o número de médicos escalados por plantão foi ampliado, houve aumento da equipe da pediatria, criação de novos consultórios, reorganização da classificação de risco e implantação de um profissional responsável pelo fluxo de pacientes dentro do pronto-socorro. "O objetivo dessas medidas é reduzir tempo de espera, melhorar o acolhimento e acelerar a definição da conduta médica."
Segundo o diretor, também houve ampliação da oferta de cirurgias ortopédicas, criação de cirurgias pediátricas que anteriormente não eram realizadas na unidade e expansão da carteira de serviços do hospital. "A carteira de procedimentos passou de 128 para 211 tipos de atendimentos. Também ampliamos a quantidade semanal de cirurgias ortopédicas e fortalecemos diversas especialidades."
Ele apresentou indicadores de produção da unidade, incluindo milhares de consultas médicas, procedimentos cirúrgicos, exames de imagem e internações realizadas desde o início da gestão. André afirmou ainda que a administração desenvolve programas voltados à experiência do paciente. "Não queremos apenas atender. Queremos gerar valor para o paciente desde o momento em que ele chega ao hospital até sua alta."
Após a apresentação, o vereador Guilherme Alves questionou se a preocupação da administração também alcançava as condições de trabalho dos servidores. Ele mencionou reclamações sobre necessidade de solicitar alimentação com antecedência, ausência de vestiários adequados, locais de descanso sem estrutura adequada e dificuldades relacionadas ao fornecimento de alimentação para acompanhantes.
O parlamentar também perguntou sobre reclamações referentes ao laboratório da unidade, onde, segundo relatos recebidos por ele, profissionais de enfermagem estariam realizando coletas de sangue por falta de pessoal específico para essa atividade.
Esses questionamentos passaram a integrar a lista de demandas apresentadas durante a audiência pública para análise da administração do hospital e da Secretaria de Estado da Saúde.
Mais adiante, já na fase final da audiência, o promotor de Justiça Marcelo Machado afirmou que compareceu ao evento inicialmente com preocupação sobre os objetivos da reunião, mas avaliou positivamente o resultado dos debates. “Quando recebi o convite para participar desta audiência, fiquei em dúvida se estaria vindo para um espaço de construção de soluções ou apenas para um ambiente de disputa política. Saio daqui com uma impressão muito positiva."
Segundo o promotor, encontros como aquele permitem ao Ministério Público conhecer diretamente os problemas enfrentados pela população. "É nesses ambientes que conseguimos ouvir a sociedade, compreender o que está acontecendo e colher informações que muitas vezes não chegam ao gabinete."
Marcelo Machado parabenizou a Câmara Municipal pela realização da audiência. "Esse debate chama a atenção do Ministério Público para uma situação que já vinha sendo acompanhada, mas demonstra a necessidade de um olhar ainda mais atento para os serviços prestados pelo Hospital Estadual de Jataí."
O promotor também relatou experiências anteriores na área de direitos humanos, quando participou de discussões com a Secretaria de Estado da Saúde sobre protocolos para visitas religiosas em hospitais públicos. Segundo ele, as discussões envolveram representantes de diferentes religiões e buscaram estabelecer regras que garantissem liberdade religiosa sem comprometer a rotina hospitalar. "O desafio sempre foi equilibrar o direito à assistência religiosa com o funcionamento adequado das unidades de saúde e o respeito às escolhas de cada paciente."
Ao longo de sua manifestação, o promotor de Justiça Marcelo Machado destacou que a atuação da Promotoria de Justiça da Saúde busca conciliar a defesa do direito coletivo com a análise dos casos individuais apresentados pela população.
Segundo ele, embora existam entendimentos jurídicos que desaconselhem o ajuizamento de ações individuais por entenderem que isso pode alterar a ordem das filas de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), sua atuação tem seguido caminho diferente. "Eu não consigo deixar de atender quem bate à minha porta. É justamente analisando os casos individuais que conseguimos compreender os problemas coletivos do sistema de saúde."
Marcelo explicou que o atendimento prestado pela promotoria varia conforme a urgência da situação apresentada. "Quando existe risco imediato de morte ou de agravamento importante do quadro clínico, ingressamos imediatamente com as medidas judiciais necessárias. Quando se trata de procedimentos eletivos, aguardamos um prazo razoável para que o próprio sistema público resolva a situação. Se isso não acontece, aí sim adotamos as providências judiciais."
O promotor afirmou que a judicialização também funciona como instrumento para pressionar o poder público a ampliar investimentos na saúde. "É justamente por meio dessas ações que conseguimos demonstrar ao Estado e ao município a necessidade de ampliar serviços e investimentos."
Marcelo Machado afirmou que a Promotoria da Saúde de Jataí possui um dos maiores volumes de atendimento do Estado de Goiás. "Se somarmos os atendimentos realizados pelas outras sete promotorias existentes em Jataí, eles não alcançam o volume de atendimento realizado apenas pela Promotoria da Saúde."
Segundo ele, esse volume decorre da política de portas abertas adotada pela unidade. "Nós acolhemos todas as pessoas que procuram o Ministério Público. Isso gera muito trabalho, mas entendemos que esse é o papel da instituição."
O promotor ressaltou que a fiscalização do Hospital Estadual seguirá critérios estritamente legais. "O Ministério Público não está aqui para tomar partido de A ou de B. Nosso compromisso é com o direito e com a qualidade do serviço público prestado à população."
Ele afirmou que a atuação ministerial não poderá ignorar os mecanismos previstos na legislação para fiscalização dos contratos administrativos. "Se existe um contrato em vigor, existem também instrumentos legais para avaliar seu cumprimento. Não é possível simplesmente substituir uma empresa sem observar os procedimentos previstos na legislação."
Marcelo Machado considerou positiva a existência de mecanismos de avaliação de desempenho apresentados pela administração da Agir. "Fiquei satisfeito ao verificar que existem indicadores e instrumentos de fiscalização do contrato. Eles são importantes justamente porque permitem avaliar objetivamente a qualidade do serviço e, se necessário, fundamentar providências futuras."
Ao comentar a licitação realizada para contratação da empresa responsável pelos serviços médicos, o promotor ressaltou que a legislação busca assegurar igualdade entre os concorrentes. "Por maior que seja o reconhecimento da população pelo trabalho de determinado profissional, a administração pública não pode simplesmente renovar contratos sem licitação. O procedimento existe para garantir impessoalidade e igualdade de condições entre todos os participantes."
Marcelo observou, contudo, que a regularidade do processo licitatório não impede a fiscalização posterior da qualidade do serviço executado. "A empresa vencedora não pode prestar um serviço de baixa qualidade. Todos os fatos relatados nesta audiência serão analisados. Aquilo que estiver dentro das atribuições do Ministério Público será devidamente apurado."
Ao concluir sua participação, o promotor reafirmou que a instituição permanece à disposição da população. "O Ministério Público está de portas abertas para receber qualquer cidadão. Continuaremos acolhendo todas as demandas relacionadas à saúde pública."
Após a manifestação do representante do Ministério Público, o presidente da Câmara Municipal de Jataí, Marcos Patrick, retomou os trabalhos destacando a importância da estadualização do Hospital Estadual Dr. Serafim de Carvalho.
Segundo ele, a transferência da administração da unidade para o governo de Goiás permitiu a manutenção de serviços considerados fundamentais para a região. "Entre os compromissos assumidos estavam a implantação da UTI Neonatal, da hemodinâmica e, principalmente, a manutenção do atendimento de porta aberta, algo essencial para Jataí."
O vereador afirmou que o município ainda enfrenta desafios relacionados à cultura de utilização do hospital como primeira porta de entrada para qualquer atendimento de saúde. "Precisamos continuar orientando a população sobre a utilização adequada das Unidades Básicas de Saúde e do Hospital Estadual."
Marcos Patrick reconheceu avanços observados desde que a Agir assumiu a administração da unidade, mas afirmou que ainda existem problemas que precisam ser solucionados. "Quando a Agir assumiu o hospital, nós comemoramos porque ela já administrava hospitais de referência em Goiás. Sabemos que houve avanços, mas algumas questões precisam melhorar."
Entre elas, o vereador citou a necessidade de ampliação dos investimentos estaduais. "Para um hospital do porte do Hospital Estadual de Jataí, que atende não apenas o município, mas toda a região, considero que os recursos disponíveis ainda são insuficientes."
Segundo ele, novos investimentos poderiam ampliar o número de profissionais e melhorar a remuneração das equipes. "Precisamos valorizar quem trabalha no hospital e criar condições para ampliar ainda mais a qualidade do atendimento."
O presidente da Câmara também defendeu melhorias estruturais para pacientes e acompanhantes. "É importante que a reforma prevista contemple cadeiras mais confortáveis para os acompanhantes e outras melhorias na estrutura física."
Marcos Patrick agradeceu a presença dos representantes da Secretaria de Estado da Saúde, da Agir e do Ministério Público durante a audiência. “Vocês não fugiram do debate. Estiveram presentes para ouvir a população e isso demonstra compromisso com a saúde pública."
O vereador informou que todos os relatos apresentados durante a audiência seriam formalizados e encaminhados às autoridades competentes. "Enviaremos ao Ministério Público, à Secretaria de Estado da Saúde e à Agir todos os relatos apresentados nesta audiência, além de outros documentos que a Câmara já recebeu."
Ele também incentivou a população a continuar encaminhando informações documentadas. "Quem possuir relatos, documentos ou provas pode encaminhá-los aos vereadores para que sejam anexados ao material que será enviado aos órgãos responsáveis."
Durante sua fala, Marcos Patrick mencionou um relato recebido no fim de semana anterior envolvendo uma suposta troca de prontuários entre pacientes internadas na unidade. "Recebemos a informação de que uma paciente teria recebido medicação destinada a outra pessoa. Diante da gravidade desse tipo de denúncia, ela também será encaminhada para apuração."
O presidente da Câmara ressaltou que muitas situações acabam não chegando ao conhecimento da direção do hospital porque pacientes e familiares deixam de formalizar reclamações. "Precisamos fazer com que essas informações cheguem aos gestores para que os problemas possam ser corrigidos."
Na avaliação do vereador, a fiscalização exercida pela Câmara Municipal, pelo Ministério Público e pela Secretaria Estadual de Saúde poderá contribuir para o aperfeiçoamento dos serviços prestados pelo Hospital Estadual de Jataí.
O presidente da Câmara defendeu que, caso isso ocorra, seja realizada uma contratação emergencial enquanto um novo processo licitatório é elaborado. "Nossa sugestão é que seja feito um contrato emergencial, previsto na legislação, para garantir a continuidade da assistência até a realização de uma nova licitação."
Segundo Marcos Patrick, um novo edital poderá estabelecer critérios mais rigorosos para contratação das empresas médicas. "Precisamos aperfeiçoar o contrato para garantir profissionais experientes, melhor remuneração e maior qualidade na assistência prestada à população. Queremos construir esse trabalho em conjunto para aperfeiçoar o contrato, ampliar investimentos, valorizar os profissionais e melhorar cada vez mais o atendimento."
Marcos Patrick também avaliou que a produção cirúrgica da unidade ainda está abaixo da demanda regional. "Vinte e quatro cirurgias ortopédicas por semana ainda são insuficientes. Precisamos ampliar essa capacidade para reduzir o tempo de espera dos pacientes."
Ele observou que muitos problemas acabam não chegando ao conhecimento da direção do hospital porque usuários deixam de registrar oficialmente suas reclamações. "Muitas pessoas comentam apenas nas redes sociais ou procuram vereadores, mas não formalizam a denúncia. É importante que essas informações cheguem aos gestores para que possam ser apuradas."
O presidente voltou a manifestar confiança na capacidade técnica da equipe gestora da unidade. Ao encerrar sua manifestação, Marcos Patrick reiterou que a Câmara acompanhará a evolução das providências adotadas pelos órgãos responsáveis. "Esta Casa não cruzará os braços. Vamos acompanhar o desdobramento de todas essas denúncias e continuar trabalhando para que o Hospital Estadual ofereça um atendimento cada vez melhor". Em seguida, o presidente declarou encerrada a audiência pública.
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