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Internet e telefonia são temas de audiência pública

Falhas no fornecimento de sinal foram o motivo para realização do debate
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Texto: Francisco Cabral
Falhas no fornecimento de sinal foram o motivo para realização do debate
Fotos: Rafael Matias

A Câmara Municipal de Jataí realizou, no último dia 21, no plenário João Justino de Oliveira, uma audiência pública para discutir as constantes falhas e interrupções nos serviços de telefonia móvel e internet da operadora Vivo no município. A reunião foi motivada pelo requerimento nº 354/2026, de 26 de agosto, e teve a participação de vereadores, representantes da empresa, do Procon, da OAB e da população.

A vereadora Kátia Carvalho conduziu os pronunciamentos e afirmou que a audiência tinha como objetivo discutir as demandas recebidas pela Câmara e buscar soluções. Segundo ela, as reclamações sobre oscilações na internet móvel haviam se tornado frequentes. “Nós estamos aqui para que a gente possa discutir os assuntos, as temáticas, para que nós encontremos juntos soluções, para que aqui nós possamos discutir o que tem de positivo ou o que tem de negativo”. 

A parlamentar também disse que o serviço da Vivo havia deixado de representar, na avaliação apresentada durante a audiência, um problema pontual. “Hoje tem se tornado uma rotina que não é aceitável, porque nós estamos aqui, temos comerciantes, eu acredito que essa casa deveria estar cheia, por inúmeras reclamações que chegam até nosso gabinete”. Segundo ela, entre as reclamações recebidas estavam oscilações frequentes na internet móvel. Ela afirmou que a intenção era obter esclarecimentos e buscar uma solução para as demandas apresentadas.

O vereador Carlone Assis defendeu a necessidade de um serviço de qualidade e afirmou que os vereadores recebem reclamações da população. “Quero comentar aqui que é importante essa audiência, tendo em vista que a vereadora Kátia trouxe para nós vereadores a importância de ter um serviço de qualidade. A população reclama, traz para nós aqui essa dificuldade e nós tem que materializar isso através de discussões”.

O vereador Guilherme Alves afirmou que uma parcela significativa dos usuários de telefonia em Goiás e Jataí utiliza a Vivo e apresentou pontos específicos do município onde, segundo ele, havia problemas de cobertura. “Eu acho que é importante a gente falar dessa operadora porque a maioria dos usuários de Goiás e de Jataí utiliza a Vivo e nós temos alguns problemas que precisam ser discutidos”.

Guilherme citou uma área próxima ao shopping, na região da rua Salgado Filho, onde relatou ausência de cobertura de sinal, além do Cidade Jardim I. Segundo ele, na parte alta do Cidade Jardim, o sinal deixaria de funcionar após a passagem pela Rua Leomar Ferreira de Melo. “Quando a gente atravessa ali da Leomar Ferreira de Melo para cima, já não pega mais, já não funciona mais o sinal do celular”.

O vereador também pediu providências para os povoados de Naveslândia e Estância. “Nós não temos sinal nenhum de celular, principalmente quem passa, eu já fiz esse pedido inclusive pra concessionária para viabilizar durante a audiência pública: nos ajude, por favor, coloque sinal no povoado da Naveslândia para que as pessoas e para que nós também que acessamos a BR-364 possamos estar conectados”.

Vereadora Kátia Carvalho solicitou ao representante da Vivo providências para corrigir problema verificado no município
Vereadora Kátia Carvalho solicitou ao representante da Vivo providências para corrigir problema verificado no município

Guilherme afirmou que a demanda por sinal na região era antiga e citou manifestações anteriores do vereador Adilson Carvalho e do ex-vereador Deuzair Parente sobre o assunto.

O vereador Durval Gomes de Oliveira também relatou reclamações sobre o serviço e destacou problemas no Cidade Jardim I e II, na Avenida Salgado Filho e nos povoados de Naveslândia e Estância. “Hoje essa casa aqui era para estar lotada, porque o que chega de reclamações pra gente no gabinete e creio eu também tá o pessoal do Procon aqui representando o Procon, que deve ser uma enxurrada de reclamações lá”.

Sobre o Cidade Jardim, Durval afirmou que o sinal oscilava e que mensagens poderiam levar minutos para ser entregues, enquanto ligações não seriam completadas. “Quando você chega ali no Cidade Jardim I, Cidade Jardim II, é muito ruim, fica oscilando. Tem vez que pega, tem vez manda uma mensagem, demora 5, 10 minutos para a mensagem cair. Ligação você não faz”.

Ele também relatou interrupções prolongadas do serviço. “Quero também deixar aqui registrado os apagões que recentemente tá acontecendo aqui na nossa cidade. A Vivo ela morre cedo, fica o dia todo, vai voltar lá 8 horas da noite, tem vez 7 horas da noite”.

Durval afirmou que os problemas também atingiam o serviço fixo e pediu informações sobre as medidas que poderiam ser adotadas pela operadora. Sobre a Estância, o vereador afirmou que o povoado não tinha sinal de telefonia e que a região também abrangia assentamentos e propriedades rurais. “Ali tem um posto de saúde e são pessoas já pessoas idosas, pessoas mais de idade que precisa e precisa muito do auxílio. Eles precisam de telefonia”.

O assessor jurídico do Procon Jataí, Henrique Souza Carvalho, relatou dificuldades enfrentadas pelo órgão em razão da falta de internet e informou que eram registradas mais de 50 reclamações por dia, a maioria pelo WhatsApp. Henrique afirmou que a ausência de internet prejudicava tanto o atendimento aos consumidores quanto as atividades do próprio Procon. Segundo ele, as audiências realizadas pelo CJUS no órgão eram on-line, o que tornava a conexão necessária para o funcionamento do serviço. 

Henrique disse que o canal de comunicação entre o Procon e a Vivo havia melhorado, mas apontou a internet como a principal preocupação. Também orientou os consumidores a reunir provas das falhas, como capturas de tela, datas e horários, além de informações obtidas por aplicativos que medem velocidade de internet. 

O presidente da OAB de Jataí, Tiago Setti Xavier da Cruz, relatou que havia procurado a vereadora Kátia Carvalho em agosto para comunicar interrupções semanais da Vivo. “Nós estamos com dois meses seguidos de interrupções semanais da Vivo. Os meses de julho e agosto, nós tivemos no mínimo uma interrupção de sinal de fibra e 5G no mesmo momento por semana”.

Segundo Tiago, as interrupções ocorreram durante dois meses e chegaram a aproximadamente oito episódios, atingindo a cidade de forma geral. O presidente da OAB afirmou que a Vivo havia realizado investimentos em Jataí nos anos de 2018 e 2019, com a implantação de rede de fibra óptica, o que teria ampliado a oferta e a demanda pelo serviço.

Segundo ele, a subseção da OAB de Jataí havia alcançado 160 advogados inscritos e afirmou que o sistema judiciário regional realizara 4.000 audiências no ano anterior, todas on-line. “Detalhe, 100% dessas audiências são online. 100% delas precisa de internet”.

Ele relatou situações em que advogados precisaram utilizar o roteamento de celulares de outras operadoras durante audiências porque o sinal havia caído. Thiago afirmou que as interrupções também poderiam afetar outras atividades profissionais, como a medicina, diante do uso de sistemas on-line e da telemedicina.

O gerente institucional da Vivo, Luís Eduardo, afirmou que a empresa mantinha compromisso com Goiás e Jataí e apresentou dados sobre investimentos e infraestrutura. “Primeiro, gostaria de reforçar o compromisso da Vivo com o estado de Goiás, com a cidade de Jataí. Então aqui é um estado e uma cidade que é muito importante pra gente. A Vivo no estado de Goiás já investiu dos últimos 5 anos quase R$ 800 milhões de reais”.

Em Jataí, ele informou que a empresa tinha mais de 26 estações rádio base, sendo nove com tecnologia 5G, além de aproximadamente 5,9 mil residências atendidas por fibra óptica. “Nós temos fibra, como o doutor colocou da OAB, se eu não me falho a memória, 5,9 mil residências com fibra, então quase 6.000 clientes de fibra”. 

Luís Eduardo explicou que a implantação do 5G exigia maior quantidade de antenas para cobrir áreas equivalentes às atendidas anteriormente pelo 4G. “Por vezes, uma antena do 4G que era no 700 MHz, ela tinha uma área de cobertura desse tamanho. Uma antena do 5G vai ter uma área de cobertura desse tamanho. Eu vou ter que ter cinco ou seis antenas para cobrir a mesma área. Então, de fato, você pode ter a área de sombra”.

Ele afirmou que a obrigação das operadoras, nos leilões mencionados, era levar cobertura a 80% da área urbana dos municípios e explicou que áreas mais afastadas, assentamentos e locais fora da área urbana poderiam apresentar dificuldades de atendimento, entre outros fatores pela necessidade de terrenos e áreas regulares.

Sobre o programa Goiás Mais Digital, Luís Eduardo informou que a Vivo havia sido vencedora em 44 localidades no Estado, mas não em Jataí, onde, segundo ele, a Claro havia vencido.

O representante da Vivo também explicou que a empresa vinha substituindo redes de cobre por fibra óptica e relatou problemas relacionados a furtos e rompimentos de cabos. “Infelizmente em julho e agosto, a gente sofreu uma série de interrupções”.

Segundo Luís Eduardo, Jataí possuía três rotas de redundância para comunicação, com saídas para Cuiabá, Quirinópolis e Rio Verde. Ele afirmou que, em julho e agosto, houve vandalismo nos pontos das três rotas.

O representante da Vivo disse que rompimentos de fibra óptica poderiam demandar tempo para reparo e afirmou que a empresa estava disposta a analisar os pontos indicados durante a audiência. “Isso não é desculpa, por isso que nós estamos aqui.”

Luís Eduardo registrou os locais apontados pelos vereadores — avenida Salgado Filho, Cidade Jardim I, Naveslândia e Estância — e afirmou que a empresa buscaria verificar as áreas. “Vamos entender esses pontos que estão sem cobertura na área urbana e não na área urbana, pra gente ver, ah, não, aqui de fato é uma área que não tem atendimento, que tem atendimento. E no centro essas áreas de sombra, vamos tentar endereçar elas para que a gente consiga cobrir.”

O gerente também propôs a realização de uma força-tarefa com a Câmara e a prefeitura para a regularização de cabos em áreas críticas. “Então, nós também estamos à disposição se a Câmara e a prefeitura quiserem fazer uma força tarefa de regularização dos cabos”.

Luís Eduardo informou ainda que a Vivo tinha, em Jataí, 79 mil clientes, considerando telefonia fixa e móvel, e afirmou que havia se deslocado de São Paulo para participar da audiência. “Eu vim especificamente de São Paulo para isso, para dar toda a atenção e entender como é que a companhia pode reparar aí esses problemas e evitar que aconteçam essas interrupções”.

Após a manifestação do representante da Vivo, Kátia Carvalho afirmou que o diálogo aberto durante a audiência poderia contribuir para a busca de soluções. “A gente sabe que não é fácil, mas a gente acredita que com esse diálogo que hoje nós abrimos aqui, com essas demandas e com as ponderações de todos aqui, nós podemos sim chegar ao objetivo final, que é essa solução”.

A vereadora também destacou a importância de manter um canal de comunicação entre a Câmara, a população, o Procon e a empresa. “O maior objetivo mesmo é a gente ter esse canal para que a gente possa buscar soluções”.

No encerramento, Kátia disse que a Câmara permaneceria à disposição da população e defendeu a busca de soluções para as reclamações apresentadas. “Eu quero facilidade, eu quero solução, eu quero resolver, porque essa é a nossa missão aqui, buscar soluções práticas que realmente vão ser efetivas”.

O coordenador de TI da Agrotécnica Buriti, Paulo Roberto Golba, também fez uso da palavra e relatou problemas relacionados à manutenção e ao suporte da Vivo. “E o grande problema que eu tenho com a Vivo é com a manutenção, com o suporte. O suporte é demorado”.

Golba afirmou que problemas de internet afetavam o faturamento, o estoque e a segurança da empresa. Ele relatou dificuldades no atendimento pelo número 103 15 e disse que a empresa precisou contratar diferentes provedores para manter a redundância de conexão.

O técnico também apontou problemas de rompimento de cabos na região do Conjunto Rio Claro, que, segundo ele, seriam baixos e aéreos, ficando sujeitos a veículos com cargas elevadas. De acordo com ele, veículos que transportam colheitadeiras, pulverizadores e outras cargas altas poderiam romper os cabos. Ele sugeriu a criação de uma rota para esse tipo de veículo.

O coordenador de TI afirmou que a empresa precisou contratar provedores locais devido à demora no suporte da Vivo e concluiu seu pronunciamento apontando que o principal problema enfrentado pela Agrotécnica Buriti era a internet fixa.

Ao encerrar a audiência, Kátia Carvalho reforçou que as discussões deveriam resultar em providências. “Não adianta a gente sair daqui, nós aqui conversamos, dialogamos, muito importante, só que nós temos que resolver”.

A vereadora afirmou que esperava a efetivação das soluções discutidas e destacou a participação do representante da Vivo. “Eu fiquei muito feliz que o senhor já tá conversando ali. Então isso já é o resultado dessa audiência e a gente quer que haja essa interação”.

Kátia Carvalho agradeceu aos vereadores, representantes das instituições, participantes e pessoas que acompanharam a audiência pelas redes sociais e pela TV Câmara. Ela afirmou que a Câmara deveria funcionar como espaço para apresentação de demandas e busca de soluções.

“A Câmara é isso, é discussão, a Câmara é busca de solução, sim. E é aqui que a população tem que vir com suas demandas, com suas reclamações, porque aqui é um lugar que a gente tem que tá aqui.”

A audiência foi encerrada com a manifestação de confiança da vereadora de que a Vivo demonstraria interesse em solucionar os problemas apresentados. “Então nós estamos confiantes que nós teremos sim por parte da Vivo maior interesse em resolver, em chegarmos juntos aí a soluções para que esse serviço possa acontecer de verdade”.


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