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ELEIÇÕES 2008 - Saiba como funciona o quociente eleitoral

Já aconteceu em várias eleições. Muitas vezes certo candidato acaba perdendo a vaga na Câmara Municipal (ou na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados) para outro que teve menos votos que ele. Isso ocorre porque o seu voto, caro eleitor, mesmo que tenha sido em um ou outro indivíduo, vai engrossar o quociente eleitoral do partido ou coligação a que pertence seu candidato. Saiba em detalhes como funciona o sistema que aponta os vitoriosos nas eleições proporcionais (para vereador e deputado).
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	Já aconteceu em várias eleições. Muitas vezes certo candidato acaba perdendo a vaga na Câmara Municipal (ou na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados) para outro que teve menos votos que ele. Isso ocorre porque o seu voto, caro eleitor, mesmo que tenha sido em um ou outro indivíduo, vai engrossar o quociente eleitoral do partido ou coligação a que pertence seu candidato. Saiba em detalhes como funciona o sistema que aponta os vitoriosos nas eleições proporcionais (para vereador e deputado).
Hélio Domingos

Como funciona o quociente eleitoral

 

Silmar Lima Carvalho

 

No dia 5 de outubro teremos duas eleições: a eleição para prefeito e a eleição para vereador.

         A eleição para prefeito segue o sistema majoritário, que consiste em considerar eleito o candidato que obtiver a maioria de votos válidos. Votos válidos são todos os votos, excluindo-se os votos em branco e os votos nulos. Aquela estória que sempre escutamos em rodas de amigos, que os votos em branco são conferidos ao candidato mais votado, é um grande engano. Os votos em branco e os nulos são apenas descartados. Outro equivoco constante é achar que a eleição dos vereadores está atrelada à eleição do prefeito. Essa estória de que, quanto mais votos tiver o prefeito, mais vereadores de sua base aliada ele elegerá, não passa de falácia, no bom português das ruas, “conversa fiada”. A eleição dos vereadores não está condicionada à eleição do prefeito.

         Outro ponto relevante sobre a eleição para vereador, que a maioria dos eleitores não leva em consideração, é a formação das coligações. No sistema proporcional, que rege as eleições para vereadores, o destaque principal é dado ao partido e não ao candidato. Desta forma, se o eleitor não ficar atento, pode votar no candidato desejado, mas acabar ajudando a eleger outro, que talvez não gostaria de ver eleito. Para que o candidato seja eleito, o primeiro requisito é o partido ou coligação alcançar o número mínimo de votos necessários, o chamado quociente eleitoral; o segundo requisito é que o candidato seja o mais votado dentro do partido ou coligação. Portanto, o eleitor, para saber as chances reais de vitória do seu candidato de preferência, deve saber de qual coligação o candidato faz parte, conhecer o nome de todos os integrantes da coligação e fazer uma análise para saber se o candidato de preferência tem chance de ser o mais votado dentro da coligação, caso contrário, os votos do candidato apenas servirão para ajudar eleger os mais votados dentro do grupo, de acordo com o número do quociente partidário alcançado pelo partido ou coligação.

         Outra questão que causa dúvida no eleitor é saber o porquê de um candidato mais votado não ser eleito e outro com votação menor ser eleito. A explicação para este fato encontra-se na análise das coligações. Isso geralmente acontece quando a coligação a que o candidato está vinculado não consegue obter o número mínimo de votos necessários para eleger um vereador. Acontecendo isso o candidato pode ser o mais votado do município e, no entanto, não será eleito.

          À primeira vista parece um sistema difícil e complexo, sendo assim vamos tentar exemplificar com gráficos, fazendo uma análise da eleição na cidade de Jataí.

         O primeiro passo é encontrar o número de votos válidos. Em Jataí são 59.342 eleitores aptos a votar. No nosso exemplo vamos considerar que todos votarão de forma válida.

          O segundo passo é saber quantos integrantes tem a Câmara Municipal, que em Jataí são 10.  

         O próximo passo é encontrar o quociente eleitoral, ou seja, o número mínimo necessário para eleger um vereador. Para sabermos esse número devemos dividir o número de votos válidos pelo número de vereadores que compõem a Câmara Municipal.

         Em seguida verificamos a quantidade de votos ofertados a cada coligação e dividimos esse número pelo quociente eleitoral. Para que o partido ou coligação consiga eleger um vereador é necessário que o número do quociente partidário obtido com essa divisão seja no mínimo igual a 1. Caso contrário ocorrerá o que ocorreu com a coligação “C”, do exemplo, que mesmo tendo o candidato mais votado não alcançou o número mínimo de votos e, portanto, não teve nenhum candidato eleito.

 

 

EXEMPLIFICANDO

 

ELEIÇÃO PARA VEREADOR (SISTEMA PROPORCIONAL)

 

ELEITORES APTOS A VOTAR EM JATAÍ = 59342

NÚMERO DE VEREADORES = 10

QUOCIENTE ELEITORAL = NÚMERO DE VOTOS NECESSÁRIOS PARA ELEGER UM VEREADOR

 

 

59342

------- =  5935 VOTOS NECESSÁRIOS PARA ELEGER UM VEREADOR

   10

 

 

 

EXEMPLO COM COLIGAÇÕES COM 10 CANDIDATOS CADA

 

COLIGAÇÃO A

COLIGAÇÃO B

COLIGAÇÃO C

1- 1800 *

1- 1100 *

1- 4000

2- 1700 *

2- 1000

2- 200

3- 1600

3- 900

3- 180

4- 1500

4- 800

4- 160

5- 1400

5- 700

5- 140

6- 1300

6- 600

6- 120

7- 1200

7- 500

7- 100

8- 1100

8- 400

8- 80

9- 1000

9- 300

9- 60

10- 900

10- 200

10- 40

TOTAL = 13500 VOTOS

TOTAL = 6500 VOTOS

TOTAL = 5080 VOTOS

13500

-------- =   2,27

5935

6500

------ =  1,09

5935

5080

------ =   0,85

5935

 

            No nosso exemplo o número dos votos alcançados pela coligação “A” foi suficiente para eleger dois vereadores, conforme a divisão demonstrada. A coligação “B” conseguiu eleger um vereador e a coligação “C” não conseguiu eleger nenhum, mesmo tendo um candidato com 4 mil votos.

 

Silmar Lima Carvalho é advogado, procurador da Câmara Municipal, presidente da OAB-Jovem local e membro do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral em Jataí